terça-feira, 14 de abril de 2009

Meu avô


Meu avô, mais que um pai pra mim,
Melhor amigo
Trago com orgulho estampado no peito
Seu sobrenome e apelido
Extrovertido e competente comerciante,
E papeia horas e horas no boteco
Conversando muito, mais do que vendendo
E algumas mentiras, algumas
Embora durma a tarde toda
Acorda as cinco da madruga
Pra andar pelas silenciosas ruas de Ventania
Vagando e procurando litro
Pra vender depois
(nunca vi gostar tanto de dinheiro)

Criou todos filhos e netos
Atrás daquele balcão pequeno
Daquela vendinha pequena
Mas com um coração nada pequeno
O Manoel tem todo aquele jeitão
Careca, barrigudo
Sempre com a caneta no bolso da camisa

Gosto nele o jeito homem, embora
Seja ele um homem moleque, extrovertido,
quase um anjo
Sempre com uma piadinha na manga
Joga truco
Toca sanfona
Toca viola
Quer dizer, afina viola
Porque nunca vi tocar uma musica completa

Sempre foi meu ídolo
Mais que qualquer outra pessoa
Carlos Drummond ou Fernando Pessoa

Ficarei honrado
Muito honrado
De poder ser dez por cento do que esse homem
Já fez, faz e ainda tem a fazer por todos nós

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